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Operação contra organização criminosa cumpre 70 ordens judiciais em SE

Grupo criminoso atuava com tráfico, homicídios e lavagem de dinheiro; ação alcança investigados em vários estados

A Polícia Civil de Sergipe cumpriu 70 ordens judiciais, entre mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens, em operação para desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico de entorpecentes, homicídios e lavagem de dinheiro. A ação policial, nomeada como Operação Pergaminho, foi deflagrada nesta terça-feira, 14, em Sergipe e em outros estados.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), as equipes já retornaram ao ponto central da operação, com todos os mandados de prisão devidamente cumpridos e todos os alvos localizados, inclusive aqueles que estavam fora do estado. Durante as ações, foram aprendidos itens como aparelhos celulares e notebooks, que passarão por perícia, além de valores em dinheiro, veículos, armas de fogo e munições. Também foram realizados bloqueios de imóveis e contas bancárias. 

De acordo com o diretor do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Dermival Eloi, o objetivo da operação foi desarticular uma organização criminosa com base no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão, mas com atuação em toda a região metropolitana, em outras cidades de Sergipe e também em outros estados da federação.

As investigações tiveram início no dia 12 de dezembro de 2024, quando o líder do grupo ainda se encontrava no sistema prisional sergipano. “No dia 16 de dezembro, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e empreendeu fuga, mesmo estando em prisão domiciliar para tratamento de saúde. A partir disso, percebemos o forte poder operacional e logístico da organização criminosa”, explicou o delegado.

A fuga do investigado mobilizou diversos estados. “Ele passou por Sergipe, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, até ser recapturado no Paraná, a poucos quilômetros da fronteira com o Paraguai, após intenso trabalho de inteligência”, acrescentou Dermival Eloi. Após a recaptura, o investigado foi transferido para o sistema penitenciário federal, onde permanece custodiado.

Durante as investigações, que se estenderam por mais de um ano, foram realizados levantamentos de campo, análises cartorárias e medidas cautelares autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Aracaju. A apuração também contou com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que compartilhou provas obtidas em operação deflagrada em agosto de 2024. “Conseguimos identificar 21 integrantes da organização criminosa e cumprir 70 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas e apreensões de bens, valores e veículos”, detalhou o delegado.

As investigações revelaram uma estrutura organizada e segmentada. “Foi possível delinear todo o organograma da organização, com divisão de tarefas entre núcleo de liderança, financeiro, logístico, comunicação e até mesmo apoio externo”, explicou o delegado diretor do Cope.

Entre os integrantes, foram identificados profissionais que auxiliavam a organização. “Havia um núcleo com profissionais liberais, como advogada, médico e fisioterapeuta, que fraudavam documentos e laudos para beneficiar integrantes do grupo com medidas judiciais, como prisão domiciliar”, revelou o delegado.

Também foi constatada a atuação de agente público. “Identificamos um policial civil que fornecia informações sigilosas e chegou a organizar escoltas para o líder da organização enquanto ele ainda estava em Sergipe”, afirmou Dermival Eloi.

Ainda segundo a investigação, a principal atuação do grupo era o tráfico de drogas e homicídios, com a consequente prática de lavagem de dinheiro. O líder da organização assumiu o comando após a morte de seus irmãos em confrontos policiais ocorridos em Sergipe e na Bahia.

As decisões judiciais foram cumpridas em Catanduvas/PR; Salvador/BA; Santo Antônio de Jesus/BA; Irecê/BA; Aracaju/SE; São Cristóvão/SE; Areia Branca/SE e Tobias Barreto/SE. Participaram da operação equipes do Cope, Recupera, Depatri, Deotap, Detur, Corregedoria da Polícia Civil, Desipe, Depen; Ficco, Delegacia de Santo Antônio de Jesus, Delegacia de Irecê e Sistema Prisional da Bahia.

A Operação Pergaminho integra a estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), no âmbito da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim).