Uma declaração do ex-prefeito de Itabaiana e pré-candidato ao Governo de Sergipe, Valmir de Francisquinho, provocou forte repercussão no cenário político estadual após evento do programa Opera Sergipe realizado no município.
Durante entrevista, Valmir criticou a iniciativa do Governo do Estado, questionando a condução das ações voltadas à realização de cirurgias. A fala, no entanto, gerou reação imediata entre aliados do governo e também entre observadores da cena política, especialmente pelo contexto em que foi feita.
O programa Opera Sergipe, lançado em 2023, já ultrapassa a marca de 30 mil cirurgias realizadas em todo o estado, com atuação nos 75 municípios e foco na redução de filas históricas na rede pública. A iniciativa também ampliou sua atuação ao incorporar procedimentos de maior complexidade, consolidando-se como uma das principais políticas públicas da saúde estadual.
A crítica, porém, acabou sendo interpretada como um movimento equivocado. Ao atingir diretamente uma ação voltada à ampliação do acesso à saúde, Valmir foi visto por aliados do governo como alguém que confronta uma política de impacto direto na população, inclusive em uma cidade que esteve sob sua gestão até recentemente.
O episódio ganha ainda mais relevância justamente por esse fator. Itabaiana foi administrada por Valmir até poucos dias atrás, o que torna inevitável a associação entre o volume de atendimentos registrados durante o evento e a demanda reprimida existente no município. Nos bastidores, a leitura predominante é de que a grande procura pelos serviços expôs fragilidades acumuladas na rede local de saúde.
Para interlocutores do meio político, a declaração também pode ter funcionado como uma tentativa de deslocar o foco de um problema sensível. Ao invés de fragilizar o programa estadual, a crítica acabou ampliando o debate sobre a realidade da saúde municipal, trazendo à tona questionamentos sobre a capacidade de resposta do sistema nos últimos anos.
No fim, o efeito político foi inverso. O que seria uma crítica acabou reforçando a percepção de que ações estruturantes na área da saúde tendem a ganhar respaldo popular, especialmente quando apresentam resultados concretos. Em um cenário cada vez mais orientado por entregas, declarações desse tipo tendem a pesar mais contra quem fala do que contra quem executa.
